SOJA PERDE ATÉ R$ 6 POR SACA NO BRASIL COM CHICAGO FECHANDO NO LIMITE DE BAIXA E DÓLAR EM QUEDA FORTE

  Além dos futuros do grão, caíram também as cotações do óleo e do farelo de soja na CBOT, com o óleo liderando as perdas.     Os preços da soja fecharam o dia com limite de baixa na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (16). Os dois primeiros vencimentos entre os mais negociados fecharam o pregão despencando 70 pontos, com o maio valendo US$ 11,55 e o julho, US$ 11,67 por bushel. Como já adiantado pelo analista de mercado da Agrinvest Commodities e da Marex, Eduardo Vanin, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, na TV Notícias Agrícolas, atenção ainda aos spreads e ao contrato setembro – mais longo – ficando mais barato do que o spot. Este último encerrando a sessão com US$ 11,22 por bushel. “O mercado acompanha de perto o encontro de Bessent e He Lifeng, assim como declarações de Trump que podem afastar sua visita à uma rodada de realizações, após ter voltado a patamares acima de US$ 12,00 por bushel e acumulado um volume recorde de posições compradas”, informou a equipe da Agrinvest Commodities. Nesta semana, as delegações de China e EUA que estão reunidas em Paris buscam concluir essa fase das negociações, com um foco expressivo em acordos agrícolas, antes da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping que acontece em abril, na nação asiática. Todavia, a Casa Branca informou na tarde desta segunda-feira que, apesar da reunião não estar em risco, pode ser adiada. Além dos futuros do grão, caíram também as cotações do óleo e do farelo de soja na CBOT, com o óleo liderando as perdas. Ainda olhando para as bolsas internacionais, os futuros do petróleo também operam do lado negativo da tabela, mas com baixas tímidas frente aos ganhos das últimas sessões. O mercado passa por um momento forte de ajustes, mesmo diante da continuidade dos conflitos no Oriente Médio. “O fechamento do Estreito de Ormuz está provocando a maior interrupção já registrada no mercado global de energia. Com ataques a navios, drones e minas marítimas, levando a cortes massivos de produção no Oriente Médio e alta de até 60% nos preços de energia. Mesmo que EUA e Israel declarem o fim do conflito, analistas avaliam que o Irã terá influência decisiva sobre a retomada da navegação e da produção, já que a segurança das rotas marítimas continua incerta”, informa o Grupo Labhoro. MERCADO BRASILEIRO COM BAIXAS FORTES TAMBÉM No interior do Brasil, os preços também caíram forte, bem como nos portos, já que além do limite de baixa em Chicago e dos prêmios pressionados, as referências sentiram também a queda do dólar frente ao real. A moeda americana perde quase 2% frente a brasileira, que volta a operar mais próxima dos R$ 5,20 e pesa sobre os preços. Segundo relata o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal, os preços na região da BR-163 perderam de R$ 3,00 a R$ 4,00 por saca. Alguns produtores relataram ao Notícias Agrícolas um recuo de até R$ 5,00 no ambiente desta segunda-feira, de pressão vinda de todas as frentes do mercado. Na região de Sinop/MT, os preços tinham indicadores na casa dos R$ 106,50 na última sexta-feira, e hoje a referência já voltava aos R$ 102,00. E como explicou o analista de mercado e diretor da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, esta queda tão intensa registrada na Bolsa de Chicago chega a tirar até R$ 6,00 por saca nos preços no mercado brasileiro. Fonte: Notícias Agrícolas

PRÊMIOS DA SOJA NO BRASIL PERDEM AO MENOS 20 PONTOS COM SUSPENSÃO DAS EXPORTAÇÕES PARA A CHINA PELA CARGILL

Mercado nacional viu a liquidez cair fortemente ao longo da semana; mais tradings saem do mercado A suspensão das exportações de soja do Brasil para a China pela Cargill anunciada nesta semana foi mais uma notícia para o mercado brasileiro manejar nesta semana, já bastante agitada pela movimentação internacional. O anúncio de uma da mais importantes tradings do mundo envolvendo o maior vendedor e o maior comprador globais da oleaginosa vem causando grande repercussão e colocou uma pressão adicional às cotações, em especial pelos prêmios, que recuaram diante da situação. Segundo um levantamento da Royal Rural, os prêmios cederam cerca de 20 pontos nas principais posições, já que há, com a Cargill paralisando suas atividades de compra aqui no Brasil, uma “menor disputa” pela soja nacional, o que tira a força dos indicativos, portanto. “A segunda maior exportadora ‘teve o peito’ de dizer que não vai mais mandar soja para a China (temporariamente, até que as questões das inspeções sejam sanadas), se as demais fizerem a mesma coisa, o impacto é grande na própria China, os preços sobem na China e acontece o inverso aqui no Brasil, os preços caem”, explica Ronaldo Fernandes, diretor da consultoria. Com este quadro permanecendo por pelo menos mais uma semana, na avaliação de Fernandes, a tendência é de que o produtor brasileiro continue amargando prêmios ainda mais baixos, estando estes já negativos em quase todas as posições. “E isso porque estamos diminuindo a presença de comprador aqui no mercado brasileiro. Tem a previsão de uma reunião entre os governos chinês e brasileiro, mas só na semana que vem. Então, até lá isso pode persistir. O efeito é preço alto na China e preço baixo para o produtor no Brasil”, detalha o especialista. Entre os meses de julho de 2025 e março de 2026, a Cargill respondeu por algo entre 15% e 16% das exportações de soja do Brasil para a China, com os volumes variando mês a mês, considerando que o grande movimento de exportação brasileira de soja é de fevereiro em diante. “Assim, estamos falando de cerca de 66% do pico de exportação da soja brasileira para a China. Assim, a Cargill dizer que não vai enviar soja para a China é um baque muito grande para a Cargill também”, afirma Fernandes. Dados: Royal Rural Os prêmios da soja no mercado brasileiro já vinham pressionados nos últimos dias pelas altas intensas que os futuros da soja acumularam na Bolsa de Chicago. Somente em relação à última sexta-feira (6), o contrato maio subiu 1,90%, passando de US$ 12,00 para US$ 12,23 por bushel, enquanto o julho saltou 1,92%, de US$ 12,13 para US$ 12,36 no fechamento da sessão desta sexta (13). E na última sessão desta semana, os preços na CBOT passaram por um movimento de realização de lucros e fecharam o dia com leves baixas. Ainda de acorco com cálculos da Royal Rural, apesar de toda a pressão, os preços da soja no mercado brasileiro conseguiram acumular ainda uma alta de R$ 1,12 no preço da saca em reais. Além do apoio de Chicago – que de segunda à sexta subiu 2,9% -, o dólar futuro – considerando a curva de 60 dias – registrou um avanço expressivo de 1,15%. Assim, a semana termina com preços – base porto – na casa dos R$ 135,43 por saca na paridade de exportação. Neste cenário, portanto, os novos negócios com a soja brasileira registraram uma semana de normalidade, sem estar muito travado pelas últimas informações – em especial as que se referiram à suspensão das exportações da Cargill – mas também nada acima da média. E apesar das contas mostrarem os R$ 135,00 – que seria o maior preço desde 2025 – os portos nesta sexta-feira, por exemplo, viram os indicativos testarem R$ 130,00 com pagamento para abril.