Governo brasileiro acompanha decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho e avalia possíveis impactos econômicos
A entrada em vigor da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, nesta sexta-feira (5), elevou o nível de atenção dentro do governo brasileiro. A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano e passou a valer oficialmente nesta data.
Nos bastidores, integrantes da diplomacia e da área de segurança acompanham os próximos movimentos da administração do presidente Donald Trump e trabalham com diferentes cenários para avaliar os possíveis efeitos da classificação.
O primeiro cenário, considerado o mais moderado, prevê que a decisão tenha principalmente caráter político e simbólico, sem provocar mudanças significativas na prática. Nesse caso, a medida serviria como um posicionamento mais rígido dos Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional.
Já o segundo cenário considera a possibilidade de um endurecimento das ações americanas contra estruturas ligadas ao narcotráfico. Integrantes do governo lembram que, em situações semelhantes envolvendo outros países, os EUA adotaram medidas como bloqueio de ativos, apreensão de bens e restrições a operações consideradas vinculadas a organizações criminosas.
O terceiro cenário é o que gera maior preocupação entre autoridades brasileiras. O receio é que a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas abra espaço para sanções financeiras direcionadas a pessoas, empresas ou instituições suspeitas de manter relações econômicas, ainda que indiretas, com atividades ligadas às facções.
A preocupação tem como referência casos ocorridos no México, onde instituições financeiras foram alvo de restrições após serem acusadas pelas autoridades americanas de facilitar operações de lavagem de dinheiro relacionadas a cartéis do narcotráfico. Segundo especialistas, medidas semelhantes poderiam ampliar o escrutínio sobre operações financeiras e aumentar os riscos para empresas que atuam em áreas influenciadas pelo crime organizado.
Além dos possíveis impactos econômicos, integrantes do governo brasileiro também manifestam preocupação com eventuais reflexos na cooperação internacional de segurança e no compartilhamento de informações entre os dois países.
A classificação das duas facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras foi anunciada pelos Estados Unidos no fim de maio e entrou oficialmente em vigor em 5 de junho.

