CHINA FLEXIBILIZA EXIGÊNCIAS NA INSPEÇÃO DA SOJA BRASILEIRA

A China decidiu recuar na política de tolerância zero aplicada à inspeção da soja importada do Brasil.

 

As autoridades chinesas reconheceram que não é viável garantir a ausência total de sementes de ervas nas cargas, o que deve permitir a liberação de navios que estavam retidos, com isso, a expectativa é de que o comércio de soja entre os dois países seja normalizado. A nova postura chinesa flexibiliza as regras anteriormente impostas quanto à presença de sementes de plantas nas cargas brasileiras.

De acordo com a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), após reuniões com representantes brasileiros, os chineses aceitaram que, devido às características da produção de soja no Brasil, é impossível assegurar a inexistência absoluta dessas sementes.

O nível de tolerância permitido ainda será definido em encontro bilateral entre autoridades dos dois países. Para tratar do assunto, os secretários Carlos Goulart (Defesa Agropecuária) e Luis Rua (Comércio e Relações Internacionais) viajaram à China na última sexta-feira.

Um documento da SDA também autoriza a certificação de navios cujos exames laboratoriais já indicaram a presença de plantas — inclusive aqueles que tiveram exportações negadas anteriormente — sem necessidade de uma nova inspeção.

Atualmente, cerca de 20 navios estão parados em portos brasileiros aguardando autorização para embarcar com destino à China.

A decisão de flexibilizar as regras ocorre após um período de impasse que afetou diretamente as exportações para o maior comprador mundial de soja, interrompendo negociações e impactando o fluxo de embarques.

Posteriormente, o Ministério da Agricultura ajustou os procedimentos de coleta e análise das amostras, atendendo às demandas do setor. Com isso, o Brasil conseguiu demonstrar à China a inviabilidade da exigência de tolerância zero.